por: Ed Oliver
Seria redundante falar do quanto Lancelott Martins tem feito pelas Hqs nacionais, sendo roteirista, ilustrador, editor, pesquisador, seja resgatando autores e personagens importantes da histórias dos quadrinhos nacionais, ou sempre encabeçando algum novo projeto, o fato é que além disso vemos um autor com visão, alguém que tem contribuído muito para a constante evolução de nossos artistas e sobretudo um cabra bem humorado que enche de estímulo quem produz e lê quadrinhos!
1- Prazer em ter você aqui velho amigo! Como você está?
Lancelott- Salve, ED!!! Estamos bem... O prazer é meu em estar à sua presença, meu amigo.
2- O que você tem feito e ou esta para lançar em termos de quadrinhos?
Lancelott- Quadrinhos permeia a nossa vida, né? Estamos sempre fazendo alguma coisa... O Quadrinhista Independente é um staff de uma Editora, tem que fazer tudo e ainda sem caixa... ahahaha!!! Bem, de minha criação estamos com algumas revistas por terminar, para lançar impressa pela Sabatina Editora, por exemplo: Um minissérie do SETE ESTRELAS com roteiros meu e do Rodrigo Marcondes PIE (imagens abaixo) e alguns artistas fantásticos como: Zilson Costa, Sullivan Suad, Ki Hap, M. Oliveira, Gilliard, Alex Genaro e Adriano Felix... Esta minissérie tem a participação de outros personagens de outros colegas autores, como o Penitente de Lorde Lobo, Proscrito do Rodrigo PIE, Grimorium de Rom Freire, Fantasia de M. Castilho e Bispo de Rodrigo Fernandes...
Na sequência, em produção para lançar impressa também pela Sabatina Editora, tem O 4UARTETO que é um grupo de jovens especiais que viveram na década 60 a 80, durante o Regime Militar e eram manipulados por uma Divisão de Foras de Série ( pessoas com dons especiais e inatos), este grupo eu criei em 80 no meu zine denominado O QUERELA. É uma minissérie de 3 números, já está pronta. O primeiro número já foi lançado pela Sabatina Editora (imagens abaixo)
Tenho ainda em produção com o artista Oséias Julio e roteiro dividido, meu e Rodrigo PIE, cores de Alanzim, um personagem denominado IOD, com a participação da TRINCA ( três irmãos especiais e que são espiritualistas) e ainda o Penitente do Lorde Lobo (imagens abaixo).
Tem ainda uma Graphic Novel que fizemos com grande equipe: Charles Hoffman (roteiro), arte/lápis/tinta: Marcos Santiago (que gerenciou todo o projeto), tinta também de Jackson Gebien e cores de Alan Emmanuel, para O SOMBRA D’ÁGUA. O Projeto irá para o Catarse em breve, estamos nos ajustes finais com as cores. (imagens provisórias abaixo).
E, naturalmente de meu personagem principal, O CATALOGADOR DE UNIVERSOS, que completa 10 anos agora e vamos lançar pela Sabatina Editora, um Artbook impresso, com artes dos fãs e amigos, uma Graphic – ORBISPHAGIA, ainda em fase de conclusão sob a batuta de Rodrigo Pie e a Equipe da Sabatina e uma outra em P&B, escrita e desenhada pelo artista Carlos Claudino, Pecados de um DEUS. (imagens anexas)
3- Lance, você tem sido um ponto de referência da produção dos quadrinhos de super heróis nacionais! Nos diga o que melhorou e o que mudou digamos na ultima década?
Lancelott - Muita coisa melhorou e muita coisa mudou... Como diria Bob Dylan:
“Then you better start swimmin' or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'
Come writers and critics who prophesize with your pen
And keep your eyes wide, the chance won't come again
And don't speak too soon for the wheel's still in spin.”
Tudo muda... temos que caminhar com estas mudanças. A produção, o mercado, a demanda, tudo isso passa por novas definições, o editor, o artista, autor que não se embrenhar nisso, que é apenas contemporâneo e rápido, pode perder o bonde... O melhor dessa década tem sido esta rápida transição que acontece a olhos vistos. A história já contou o passado, as editoras, os mercados, os ousados empreendedores da Ditadura Militar, o legado que nos foi deixado, enfim, tudo isso é insumo para nossas ponderações...
4- Você também é claro tem seus próprios personagens nos fale um pouco sobre eles!
Lancelott- Meus personagens foram na maioria, criados na década de 80, quando eu, como você, fazíamos fanzines... Eu fazia aqui no Piauí, O QUERELA que versava sobre a questão raiz da nossa cultura e momento político... Lá eu criei o EXÚ que era um Orixá, o SETE ESTRELAS que era um vaqueiro martirizado e preso a uma promessa de redenção do mundo espiritual e o 4UARTETO, quatro jovens submetidos a uma lavagem cerebral por uma Divisão Científica do Exército e utilizados como armas (hoje eu reconto a histórias deles numa minissérie, como falei acima...). Tenho ainda personagens mais recentes, como O CATALOGADOR DE UNIVERSOS, O COMETA HUMANO, IOD e JHEREMIAS- um super-homem.
5- Como roteirista quais trabalhos lhe deram mais satisfação ter realizado?
Lancelott- Não tenho um trabalho que eu goste... Na verdade eu gosto mais dos trabalhos dos colegas roteiristas quando entrego meus personagens e os deixo com total liberdade para explorar o canônico e o mitológico deles. Fico surpreso com as contribuições dos colegas, este sim, me dão muita satisfação. Eu gosto de escrever para os colegas, recentemente, escrevi um roteiro para meu amigo Rodrigo PIE de seu personagem BLINDADO e a VELTA de Emir Ribeiro, gostei de fazer esse...
6- Quando escreve qual diferencial voce busca mostrar quando trabalha um super heroi brasileiro?
Lancelott- Não sou ufanista... vejo o quadrinho como uma via de expressar a ficção, o lúdico sem qualquer viés mas dentro da aventura, do sentimento, da viagem do herói ou nem tanto... Não vejo que um cenário, uma cor, uma vestimenta, uma paisagem, definam um “super-herói brasileiro”. O Super-herói, a criação, é apenas um reflexo do impossível, do imponderável na justa medida do que não nos é possível fazer como um humano “normal”, no entanto, na ficção, um humano “normal”, pode fazer o que não podemos... O “super” não é uma propriedade de um movimento, como os comics por exemplo, mas sim uma expressão que extrapolou continentes e não tem mais raiz, é um conceito, uma ideia que pode ser aplicada independente de bandeira, cor ou tradição histórica.
7- Outro tema que você é aficcionado é o terror, fale como é para você, trabalhar este estilo!
Lancelott- Olha só! Adoro TERROR... Acho que consumi tudo da década de 80 que foi produzido aqui no Brasil. Recentemente, resolvi com o artista Mauricio Lima aqui do Piauí, produzir uma série de pequenos contos com esta vibe dos anos 80... Contos de terror com base no urbano, nas lenas, no regionalismo que denominei de COISA DE MALUCO. A arte deste projeto foi exclusiva do Maurício e dividimos os roteiros. O projeto tem uma apresentação gráfica de flip/flap. Com duas revistas em uma, invertidas, duas capas. As capas foram dos artistas Cayman Moreira e Max Garcia. A revista ainda está à venda com os autores ( eu e o Maurício). (Imagens anexas)
8- O que tem lido em termos de quadrinhos atualmente e quais trabalhos você poderia destacar?
Lancelott- Tenho lido muito material nacional produzido pela Kimera do Vanderlei Sadrack, Gibix do Rogério Casacurta, Tiras Brasileiras do Luigi, material produzido aqui pela Editora Sabatina e muito material antigo, aqui de minhas pesquisas...
9- Qual sua opinião sobre o atual cenário de quadrinhos nacionais, pontos positivos e negativos?
Lancelott- Vejo o cenário sempre como um momento, um reflexo... Acho que esta plataforma de financiamentos coletivos tem nos apresentado muita coisa boa de produção independente e nacional. Este momento e este sistema de produção oportunizam ao editor, autor independente mostrar seu trabalho... Podemos nos questionar – “mas tem muito projeto, não dá para apoiar todos.” Sim... Mas assim é o mercado, se no tabuleiro não tiver oferta, não temos opção de compra e escolha, quem manda é o cliente, o leitor.
10- Trabalhar com um personagem como Exu parece-me gratificante e desafiador ao mesmo tempo, o universo dele faz parte de seu sistema de crenças? Fale um pouco sobre isso!
Lancelott- Olha só... EXÚ é um Deus do Candomblé e tem deveras, um culto pelos adeptos desta forma de fé. Quando fiz EXÚ eu estava neste momento com esta espiritualidade em minha vida. E sei que seria um desafio fazer algo com este viés, uma vez que de alguma forma ainda resta muita rejeição por parte das pessoas em geral. Quando eu iniciei o zine QUERELA e logo na edição de número 7, recebi muitas críticas ao apresentar uma HQ de um personagem com estas características e muitas vezes, pelo desconhecimento da religião, confundido e tido como algo “diabólico”. Foi complicado e fui combatido... Tenho uma reatulização inédita do personagem feita pelo artista Bruno Lima após roteiro de Leonardo Santana, não publicada. Mormente, estou refazendo esta HQ com outro artista, o Sullivan Suad. Mas o personagem já teve participações com o Escorpião de Prata de Eloyr Pacheco e Dante do WILL. Em breve teremos novidades... (abaixo).
11- Sombra D`água também é um personagem muito interessante e diferente, o que buscava com sua criação?
Lancelott - Aqui, com O SOMBRA D’água buscava uma abordagem cultural sobre nossas lendas sem ser a própria lenda... Fiz uma mítica dentro do cenário da Primeira e da Segunda Guerra com a questão dos experimentos humanos pelos nazistas e assim nasceu o personagem, lastreado na nossa mitologia e com elementos reais... Muita coisa será revelada na sua Graphic Novel, como falei acima, com roteiro Charles Hoffman.
12- Qual sua opinião sobre quadrinhos digitais?
Lancelott- Necessários. Acho que é uma vertente, tanto na oferta de leitura por plataformas free ou pagas, como a própria venda do produto digital. A AMAZON já faz isso há muito tempo... Eu mesmo tenho produtos meus nesta plataforma do Kindle....
13- Grato por nos dar essa entrevista Carlos, espaço aberto para suas palavras!
Lancelott- Eu agradeço o espaço e acho que estas oportunidades dadas aos autores, artistas e editores, só vem a fortalecer nosso cenário. Seu espaço nos fortifica, meu amigo.
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Cara que entrevista fantástica com o mestre Lancelott, sou fã, sou amigo, e parceiro! Parabéns Ed Oliver por mais uma grande entrevista, os quadrinhos nacionais e os leitores agradecem, eu agradeço!
ResponderExcluirGrato ao amigo pelo espaço, os quadrinistas independentes, tão carentes de espaço, sentem-se orgulhosos deste seu espaço para nossas palavras... Grato meu velho amigo.
ResponderExcluirGrande entrevista rapá, esse cara é "maluco" por natureza! Primeira vez aqui no blog e já gostei, vou ficar de olho.
ResponderExcluirUma rica entrevista que faz jus aos esforços do Lancelott Martins e de sua imensa contribuição para os quadrinhos nacionais!
ResponderExcluirLance é lenda já.
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