por Ed Oliver
E nossa nova entrevista é com um quadrinista gente boa e talentoso que vêm escrevendo importantes linhas na história em quadrinhos brasileira!
1-Prazer em te ter aqui no nosso site Cortizo, nos fale um pouquinho de sua trajetória como começou nas artes até se decidir pelas histórias e quadrinhos!
Junior Cortizo - Trabalhei muito tempo numa agência de publicidade onde comecei como office boy e lá aprendi a desenhar profissionalmente e me tornei ilustrador, profissão que sigo até hoje e é a que me possibilita fazer quadrinhos nos momentos vagos. A Tribo foi criada em meados dos anos 80/90 e foi se desenvolvendo durante anos mas só fui publicá-los oficialmente em 2014 mas já em duas revistas independente, A Tribo 01 e a primeira Carrapato. De lá pra cá publiquei mais duas revistas e estou trabalhando na terceira edição da Tribo.
2- Fale um pouco sobre os trabalhos que já fez e projetos próprios.
Junior Cortizo - Fiz uma capa para um projeto chamado Arena de um pessoal que conheci no saudoso fotoblog Terra e na verdade tive uma primeira história publicada numa revista do Samicler Gonçalves, uma pequena hq do meu personagem Tiborg. Depois também publiquei uma história curta com a personagem Portal em uma revista do Lorde Kramus do Gil Mendes. Nesse período publiquei duas edições da Tribo e do crossover Carrapato em parceria com o Tony Brandão. Também fiz os desenhos de uma história do Undeadman roteirizada pelo Alex Mir. Atualmente trabalho na nova edição da Tribo, no processo de finalização de cores para poder lançar o material o mais breve possível dentro dessa loucura que está sendo 2020! Também fiz algumas ilustrações avulsas para personagens de amigos.
3- Qual sua visão dos quadrinhos brasileiros.
Junior Cortizo - É um mercado em potencial mas que carece de visão a longo prazo de editoras para investir em novidades e não nos autores de sempre e até mesmo de leitores que poderiam apostar um pouco mais em materiais autorais de todos os gêneros, sem o preconceito hipócrita de amar certos temas muito populares que vem de fora mas são vistos com olhos cheio de preconceito quando os mesmos temas são usados aqui. Tô falando da temática de Super Heróis e Ação, pra deixar claro. Ainda tem gente que acha que não são “fáceis de engolir no cenário brasileiro”. Uma baita besteira. Muito se resume a bons roteiros pois ótimos desenhistas já temos. Sou à favor de usar quaisquer temas pra se contar uma boa história. A pessoa que virar a cara pra essa pegada comics pra mim, é só um metido à…bom, um metido mesmo, hehe. Talvez seja o mesmo tipo que acha que não podemos fazer rock nacional ou filmes de horror por acharem que não sejam assuntos genuínos nossos…
Mas a gente tá no caminho certo, produzindo. Só faltam os leitores apoiarem o que for bom e as editoras prestarem um pouco mais de atenção.
4- Sua principal criação é "A Tribo" fale um pouco sobre este trabalho e como tem sido a recepção?
Junior Cortizo - A Tribo foi criada como uma maneira de contar histórias nos anos 80, como disse, baseados nos gibis que eu e alguns amigos líamos nessa época. Influenciados por John Byrne, Miller, Claremont e outros contemporâneos que misturamos numa sopa de cultura pop que nos levou a desenhar e pensar as histórias como essa mídia viável, os quadrinhos.
No começo éramos dois, eu e Dimas Moreira e depois o Bërt Ribeiro entrou na parada. Tudo sem compromisso mas a gente foi pensando os personagens, criando e aprofundando suas personalidades, se antes todos pareciam um bando de brucutus agressivos, violentos e brigões hoje eles são brucutus cheios de humor, ironia, coração e outras nuances além de continuarem sim brigões, pois são personagens de ação antes de mais nada.
Enfim, pensei e desenhei muitas histórias com eles mas que nunca saíram ( literalmente ) do papel. Por lá ficaram até que em um momento crucial fui incentivado a produzir um quadrinho com eles. Eu devia isso à eles. E pra minha grata surpresa, a recepção foi bem bacana. Entre erros e acertos creio que o resultado foi o mais positivo possível e isso nos ajudou pacas a entender que esses materiais são criados para serem vistos por outras pessoas e não ficarem guardadas no fundo de uma pasta naquele quartinho escuro. As pessoas precisam dar vazão às suas ideias, por pior ou menos preparadas que lhes pareçam, pois isso pode ajudar a melhorar e muito a sua produção. Fora que no meu caso, me dá uma felicidade danada ver um trabalho desses pronto!
5- Um espião me contou (risos) que tens um gosto musical bacana calcado no Rock e Metal, a música influencia e seu trabalho?
Junior Cortizo - Hahaha, pois é, cara. Música é parte do combustível que movimenta nossas engrenagens nas estradas entre os quadros de uma página! Uso a música para me ajudar a entrar no clima para desenhar e na Tribo e na Carrapato faço muitas menções às músicas, rock, claro, mas também já citei um Marvin Gaye. Na primeira edição da Tribo temos Black Sabbath com Ironman, na Carrapato 01 temos Highway to Hell do AC DC, a história de A Tribo 2 tem o título Tick, Tick, Boom, uma homenagem ao The Hives e ainda Marvin Gaye com Let’s Get it On e pra fechar Jamie n Comuns & X Embassadors com Jungle. E na última Carrapato, a estágio 2 a trilha que serve para a sequência de perseguição é Fuel do Metallica! Só coisa finíssima. Uma valsa melhor que outra, hahaha. Gosto de colocar as músicas imaginando mesmo uma trilha pra se ouvir junto com a leitura das histórias.
6- Como desenhista nos fale um pouco sobre seu processo de trabalho.
Junior Cortizo - Após ter a ideia da história eu começo rafeando ela toda num caderninho onde penso os ângulos e cenas, divisão de quadros e distribuição de cenas chaves pelas páginas. Depois eu passo para rafes maiores onde vejo se os quadros ficam bacanas e nesse momento eu revejo se preciso mudar, retirando ou acrescentando algo. Passo para a finalização do traço e ultimamente tenho feito tudo digitalmente, no Procreate e no Photoshop onde também faço as cores. Por último vem o letreiramento antes de fazer a diagramação final da revista colocando capa e extras. Nesse processo eu acabo mudando ou corrigindo algumas coisinhas que me desagradam. Feito isso e depois de receber da gráfica vem a parte mais difícil mas que é das mais prazeirosas: vender!
7- Se pudesse se tornar um personagem de quadrinhos qual seria e porque?
Junior Cortizo - Rapaz, que difícil mas acho que ficaria com o Homem Aranha, que pra mim é um dos maiores ícones dos gibis. Não por isso, claro mas por ser o super humano mais humano de todos, um cara que age com o coração antes de tudo. Não é o amigão da vizinhança à toa.
8- Quais seus projetos em desenvolvimento e planos para logo mais?
Junior Cortizo - Nesse momento estou trabalhando nas cores e finalização de uma terceira edição de A Tribo. Essa revista vai ter o foco nos vilões, uma edição do mal mesmo, com pouca esperança pois ali até certo momento só aparecerá o que há de pior e o que deve ser combatido. Uma história onde esses antagonistas terão mais falas e por isso mesmo pode se ter a impressão de que tem justificativas por trás de seus atos mas talvez seja um erro identificar-se com eles. Admirá-los pode ser até uma falha de caráter mas quem sou eu pra julgar? Ás vezes o lado mal pode ser bem atraente…
Fora isso já tenho outras ideias inclusive de horror e humor. O que me falta é tempo!
9- Qual sua opinião sobre os quadrinhos digitais?
Junior Cortizo - Gosto bastante e acho um meio bem interessante de se encontrar novos leitores pelo mundo todo. Estou me preparando para entrar nesse nicho mas ainda não consegui deixar pronto o suficiente pra poder distribuir digitalmente. Agora me pergunto o quando as pessoas gostam de ler quadrinhos digitais. Livros eu gosto muito pois é muito prático mas ler gibis na tela ainda não chega aos pés de ter uma edição impressa. Mas é gosto pessoal. O meio digital está aí ao alcance de todos e é inevitável pensar nisso agora. A gente tem de se adaptar e pensar em mídias que podem sim expandir nosso poder de alcance.
10- Grande Cortizo é um prazer ter um artista do seu talento em nossas páginas, obrigado e fique à vontade para suas considerações!
Junior Cortizo - Ed, o prazer é meu, cara! Valeu por dar esse espaço, me desculpe por falar ( ou escrever ) demais mas é assim quando a gente fala sobre um assunto que a gente curte demais. Um recado aqui é pro pessoal ficar atento ao que vem sendo produzido fora dos grandes nomes que estão já com espaço na mídia garantidos. Nada impede você de apoiar um autor conhecido mas precisamos sempre enxergar mais longe conhecendo grandes artistas e trabalhos que estão no mercado a anos com seus materiais independentes sempre esperando uma oportunidade de surpreender você! Cito aqui o Rom Freire, Tony Brandão, Rafael Tavares, Gil Mendes, Alex Genaro, também materiais da editora Kimera, Henrique Kifer da Cruz com Gladiadores, Walter Junior, Juliano Rocha e meu irmão Dimas Moreira que vem preparando um material legal da Tribo! Material não falta! Um abraço e valeu pela força! Aproveitem para seguir e conhecer mais do meu trabalho nas mídias sociais!
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ótima entrevista, Cortizo é um grande cara, um baita criador e desenhista!
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