Rodrigo Pie é uma figura altiva, eu o conheci através de seus trabalhos e das mídias sociais onde defendia sempre suas opiniões e visões com força e emotividade, pensei comigo: aí esta um cara que devo parar e ouvir! Essa Força e emotividade esta presente também em todas as suas produções e na sua produção dentro dos quadrinhos que tem se mostrado também um panteão na luta e debate pelo desenvolvimento das HQs como arte em nosso país!
Façam como eu sentem e ouçam o cara!
1- Fala Don! Sabemos que você já escrevia pelo seu envolvimento com o Teatro e artes cênicas mas como se deu de fato essa transição para ser roteirista de quadrinhos?
Rodrigo Pie- Na verdade tudo é ao contrário, primeiro comecei escrevendo, depois fui para o Teatro como ator, todas as funções de bastidores e técnicas, até me tornar Diretor. Mas o escritor, o dramaturgo, e o roteiristas já estavam todos em mim. O que mudou é que tudo que eu havia criado na infância, eu reescrevi na minha fase adulta, e continuo escrevendo, pesquisando e buscando aprender sempre.
2- Percebo também que suas HQs tem diálogos espertos, inteligentes e uma construção bem realizada da personalidade dos heróis, isso se deve a essa vivência cênica também não?
Rodrigo Pie- Com certeza minha vivência de 25 anos no Teatro tem total influência no que eu faço nos roteiros de quadrinhos. A experiência do palco é muito similar com o quadro a quadro dos quadrinhos, como diretor de Teatro eu dirijo atores, atores criadores, como roteirista vejo os desenhistas como atores, eles criam aquilo que imaginei. E eis a mágica da cena, do quadro.
3- Fale um pouco dos personagens criados por você!
Rodrigo Pie- Minha criação de personagens começou em 1988, nesta época nasceram a maioria deles, como Blindado, Indestrutíveis, Esquadrão Cósmico e por aí vai. E depois foram surgindo outros como Miss 10, Enonde-Rã, Legião XIII, Proscrito, Vindicare e a banda Theatro de Nod, entre outros. Quando crio personagens penso em seu passado, presente e futuro, penso em seu ethos, mas é em seu pathos que encontro o drama necessário para o desenvolvimento de seu arco de história. O Blindado por exemplo, dentro do meu Universo é extremamente poderoso, tem dois filhos, mas vive uma vida distópica, cheio de vícios, vivendo em mundo onde é perseguido e tenta fazer as coisas certas, mesmo quando está errado. Um personagem que tem sua mitologia sendo narrada em Aço dos Deuses, onde muita coisa será revelada sobre ele, colocando por Terra tudo que até este momento sabemos dele.
4- O selo Don Comics foi criado para reunir suas criações não? Que artistas mais, fazem parte do selo?
Rodrigo Pie- Mais do que um selo Don é o meu universo, é o lugar no tempo e espaço que se desenrola as ações e histórias de minhas personagens, e ao mesmo tempo é meu selo editorial. Os artistas são convidados, cada projeto há um artistas diferente, um parceiro de estrada, há os parceiros que estão juntos em quase todas as publicações, como o mestre Lancelott Martins(que é meu grande editor e letrista), tem o Serj D'Lima, Ki Hap e Adriano Sapão. Mas já tivemos trabalhos que foram publicados e desenhados por outros parceiros como Marcelo Morgolfin, Gilliard, e Marcos Gratão!
5- Recentemente você também entrou para o grupo do selo Sabatina Editora, o que o selo trás de novo e quais suas expectativas com ele?
Rodrigo Pie- Na verdade eu não entrei, eu juntamente com Rafael Tavares, Adriano Sapão, Lancelott Martins e Demetrio Guimarães criamos e fundamos o Coletivo Sabatina Editora, uma ideia que nascem a partir de nossos encontros no programa do youtube Sabatina Geek. Mas o programa é uma coisa, a Sabatina Editora é outra. Neste coletivo agregamos outros selos juntos a nossa ideia, e trabalhamos de forma coletiva, um em apoio ao outro e sua produção. Este ano de 2020 seria um ano importante para nós, porém veio a pandemia e atrapalhou bastante, mas ainda teremos antes de findar esse ano sabático umas surpresas para os fãs de heróis brasileiros.
6- Os Super Heróis Brasileiros tem tido um crescimento e melhor distribuição entre os leitores, na sua visão o que mais pode se feito para que tanto os quadrinhos quanto os artistas tenham resultados melhores?
Rodrigo Pie- Romper a bolha, investir mais e melhor, chegar onde ainda na sua quase totalidade não chegamos, somos um mercado de extrema potência criativa, o que falta é sairmos do amadorismo e da paixão, e fazer disso um empreendimento, uma profissão, temos alguns casos de sucesso, mas não conseguimos ainda criar um mercado para quadrinho nacional de heróis, e tão pouco sermos uma potencia editorial. Como romper a Bolha? Essa é a resposta que todos estamos buscando.
7- Que Roteiristas e artistas dos Quadrinhos mais o influenciam?
Rodrigo Pie- Gosto de muitos roteiristas, mas vou citar em especial o Alan Moore, o Millar, e brasileiros gosto muito dos estilos de Rafael Tavares dos Invictos,Chris Pereira(Força BR) Lorde Lobo e Rom freire. Sou fã e admirador das criações de Lancelott Martins, eu parei há muito tempo de admirar os gringos, e passei a olhar para meus irmãos e colegas de cena, e admiro Nestablo Ramos, George Wolf, Cortizo, Walter Junior, Adriano Sapão, Rom Freire, Serj D'Lima, Tony Brandão, Claw Rocha e tantos outros.
8- Você também tem uma participação ativa na política e cultura de sua cidade, fale um pouco sobre isso para os leitores!
Rodrigo Pie- Não tem como ser artista e não ser político, ou melhor ter um pensamento político no sentido original da palavra que vem de Polis, que significa para a cidade. Então milito em questões artísticas e sociais desde sempre, e neste ano de pandemia as causas se tornaram ainda mais necessárias e a luta mais ferrenha. Este ano fundamos o coletivo Movimento Cultural de Praia Grande, e já estamos realizando e conquistando muitos resultados em prol dos artistas e da Cultura de nossa cidade, e é engraçado que em um momento de isolamento conseguimos ser o que nunca fomos antes, um grupo, um coletivo!
9- Que quadrinhos o Rodrigo Pie tem lido recentemente?
Rodrigo Pie- Estrangeiro li a saga House Of X e Powers Of X com arco e roteiros de Hickman, que revoluciona o universo dos mutantes. Brasileiros eu terminei de ler os volumes 1 e 2 de Os Sete projeto do Marcos Gratão e Eberton Ferreira, Pulsar de Arthur Garcia, Ação em Dobro dos amigos Leandro Batista e Israel Pereira, Contos da Jaguara de Altemar Domingos, Over Drive 1 a 4 e por aí vai!
10- Obrigado Pie por ter cedido um pouco de seu tempo pra gente conhecer seu trabalho e sinta-se a vontade para deixar suas considerações finais!
Rodrigo Pie- Eu que agradeço pela oportunidade de falar do meu trabalho, valeu Ed Oliver e toda equipe. Penso que estes espaços são fundamentais para a troca e trazer um pouco sobre cada criação, artista e quadrinista brasileiro. Termino convidando o público para visitar o site da Sabatina Editora, onde temos um acervo online para leitura de vários quadrinhos de heróis brasileiros, inclusive meu material da Don Comics também está por lá. E deixo um Viva a todos os quadrinistas brasileiros, Evoé! Viva a Nona Arte!
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Foi um prazer conceder essa entrevista, viva os Heróis Brasileiros!
ResponderExcluirO trabalho do universo Don Comics tem enriquecido a produção de quadrinhos nacionais e sempre terá espaço em nosso site!
ExcluirGrande PIE!!! Um gentleman!!! Um ARTISTA que espalha sua energia por anda passa... Sou muito grato por conhecê-lo e tê-lo como parceiro em vários projetos.
ResponderExcluirGrande mestre Lancelott, me sinto honrado em partilhar projetos com você meu amigo, e ter te conhecido foi um dos grandes acontecimentos cósmicos de minha vida! Sinergia!!!
ExcluirParabéns Sucesso ♥️🙏
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